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    supostamente, ela escreve

    Esse blog foi criado para que eu, Natália Oliveira, tivesse um espaço na internet para publicar meus textos. A bem da verdade, mais procrastino que escrevo, mas isso não me impede de sonhar acordada com o dia em que conseguirei escrever algo realmente bom. Sou saudosista da época dos blogs pessoais, gosto de histórias (e fofocas) e de jogos casuais. Esse blog já teve vários nomes (natalapses; natália non grata; olive trees, garnets and trains) e escrevo nesse espaço de forma inconstante desde agosto de 2016.

    Se quiser entrar em contato, basta deixar um comentário ou mandar um e-mail para mail.natalialvr@gmail.com.

    coleção de quotes – twitter – spotify – link afiliado da amazon

    Seguindo firme na missão de tardar, mas não falhar, este é o segundo post do desafio 3 on 30. No primeiro post eu expliquei pra vocês como o desafio nasceu e quais foram as fotos que separei para o o tema que escolhemos. 

    Nesse mês, eu caí nas garras da minha própria ambição: sugeri para as meninas que tirássemos fotos baseadas em trechos de livros. O que acabou sendo um tiro no pé, porque 1) essa é uma proposta que, por mais legal que seja, é bem complicada de se cumprir e 2) esse mês foi um tanto complicado pra mim (aka inferno astral existe e eu posso provar).

    Antes de ir para as fotos e quotes do desafio, queria que vocês reparassem nesse layout MARAVILHOSO que estamos usando. Como não podia ser diferente, ele é obra da Gabi Melo - e eu super recomendo que vocês visitem o blog dela (pois maravilhoso) e os layouts que ela vende no etsy (pois também maravilhosos e bem diferentes dos layouts padrãozinho e caríssimos que costumam fazer sucesso por lá). Eu não canso de dizer o quanto a Gabi é criativa e inspiradora. Enalteçam o trabalho dessa mulher! 

    Agora sim, vamos às fotos :)


    — Está vendo isto, Cimi? Por cada mãe que amaldiçoou Deus pelo filho morto na estrada, por cada pai que amaldiçoou o homem que o despediu da fábrica e o deixou sem trabalho, por cada criança que nasceu para sofrer e pergunta por quê, esta é a resposta. Nossas vidas são como essas coisas que construo [castelos de cartas]. Às vezes elas caem por alguma razão, às vezes caem por absolutamente nenhuma razão. 
    Carlocimi Dretto considerou aquele o mais profundo depoimento que já ouvira sobre a condição humana.

    Esse trecho pertence ao livro A Escolha Dos Três (segundo livro d'A Torre Negra), do Stephen King. É uma das minhas quotes preferidas da vida. Logo que pensei no desafio, pensei em como conseguiria representar esse trecho em uma foto - e creio que talvez tenha falhado miseravelmente (provavelmente porque as únicas cartas de baralho que eu tinha à mão eram essas com desenhos fofinhos das princesas Disney).

    Pra tentar remediar isso, vou usar o comentário que minha amiga Beatriz fez sobre a foto: "seria muito louco se essa princesa fosse no mal.. as cartas em baixo iam ficar parecendo um cemitério de princesas".Vamos acreditar na interpretação dela.


    Esse espaço fechado, recortado, vigiado em todos os seus pontos, onde os indivíduos estão inseridos num lugar fixo, onde os menores movimentos são controlados, onde todos os acontecimentos são registrados, onde um trabalho ininterrupto de escrita liga o centro e a periferia, onde o poder é exercido sem divisão, segundo uma figura hierárquica contínua, onde cada indivíduo é constantemente localizado, examinado e distribuído entre os vivos, os doentes e os mortos - isso tudo constitui um modelo compacto do dispositivo disciplinar. A ordem responde à peste [...] Ela prescreve a cada um seu lugar, a cada um seu corpo, a cada um sua doença e sua morte, a cada um seu bem, por meio de um poder onipresente e onisciente que se subdivide ele mesmo de maneira regular e ininterrupta até a determinação final do indivíduo, do que o caracteriza, do que lhe pertence, o do que lhe acontece.

    Nesses últimos meses, aconteceram várias coisas incomuns na minha vida. Uma delas foi que eu viajei de avião pela primeira vez: fui para Curitiba, apresentar um resumo expandido em um congresso. O trabalho era sobre presidiárias (mesmo tema da minha dissertação) e uma das leituras obrigatórias para quem estuda esse tema é o Vigiar e Punir, do Focault. Quando o avião fez uma ponte no aeroporto de Congonhas, foi impossível não olhar para essa torre e lembrar do panoptismo (se você não conhece essa teoria, esse texto bem pequenininho explica bem a ideia).

    Essa é a foto que melhor representa a minha viajem e esse momento da minha vida. Estudar a prisão, olhar o mundo com outros olhos e ter a oportunidade de fazer coisas que, normalmente, eu não faria. Ainda não estou certa sobre ter escolhido a ~vida acadêmica, mas posso dizer que esses poucos meses de mestrado me mudaram muito. Espero que para melhor.


    Mais cedo ou mais tarde, até mesmo o mais sólido dos caixões acaba se rompendo e deixando a vida entrar para se alimentar da morte.
    Essa é a foto que me fez ter a ideia do tema do desafio desse mês. Eu estava lendo o Escuridão Total Sem Estrelas (Stephen King vai dominar esse blog) - que recomendo muito por sinal - quando vi essas formigas carregando uma barata morta. Sim, eu sei, é um pouco creepy etc. Mas me fez pensar em como baratas são, ao mesmo tempo, imponentes e decadentes. Uma coisa que coloca medo e asco em tanta gente, e que exerce tanto poder por meio desse medo, mas que, ao mesmo tempo, é tão frágil e insignificante como todas as outras coisas que habitam a terra. Achei poético.

    Sei lá, gente, eu tenho pensamentos estranhos.

    Enfim, esse foi o 3 on 30 (postado com mais de 25 dias de atraso, veja bem). Me digam nos comentários o que vocês acharam das fotos e dos trechos. Ah, e se vocês gostam de colecionar trechos de livros, me sigam no Palavras Sublinhadas, tumblr onde eu posto trechos de livros que estou lendo.

    E não deixe de visitar as meninas que também participam do projeto!
    Ana • Manu • Mia
    . 26 setembro 2018 .
    . 01 agosto 2018 .

    Dia desses a Manu disse no Twitter que queria participar de um projeto fotográfico, mas não sabia qual e como isso ia acontecer. Depois de algumas replies com ideias aleatórias o 3 on 30 nasceu. O objetivo é postar 3 fotos com um tema definido, como um resumo de tudo o que aconteceu durante o mês com relação ao tema. O tema desse mês é desafio.


    O tema da minha dissertação (que ainda não tem pergunta de pesquisa definida, PÂNICO) envolve mulheres em situação de prisão. Isso implica fazer visitas periódicas na prisão, ler sobre prisão e escrever sobre prisão. Acredito que o ato de pesquisa em si já é uma atividade pesada, mas tudo o que envolve violência contra a mulher me toca de um jeito muito pesado. Meu grande desafio é aprender a digerir isso tudo. E lidar com o ambiente acadêmico, que as vezes me parece mais inóspito do que a prisão que eu visitei.


    Consegui tirar uns dias de férias ("""férias""") e fui visitar a minha avó. A casa dela é sempre uma loucura pra mim, que passo a maior parte do tempo sozinha e sou uma grande apreciadora do silêncio. Sempre tem pessoas, e visitas, e gritos e música e orações (muitas orações, muita missa, muito terço). Tudo isso me faz querer entrar dentro de um buraco e viver lá pra sempre. Tenho a impressão de que grande parte das pessoas associa a solidão à tristeza e a convivência com muitas pessoas à alegria. Minha associação é invertida. Ficar no meio de um monte de gente que fala muita coisa - e que espera muitas respostas - me deixa melancólica. E por alguma razão eu acho que essa foto capturou meu sentimento muito bem. 


    Um céu perfeito, com a quantidade perfeita de nuvens e a quantidade perfeita de sol. Uma leve brisa refrescante e um balanço exato entre as árvores e os prédios. Essa foto tem tudo para representar um dia feliz e agradável, exceto pelo fato de que ela foi tirada no meu trabalho, um dos principais motivos dos meus ~males da mente~. Puta merda, eu nem quero falar sobre isso. Emprego, responsabilidades e boletos pra pagar DESTROEM A VIDA DO SER HUMANO. Repassem.

    Todas as fotos desse desafio realmente carregam um significado grande pra mim e eu duvido muito que tenha conseguido passar pra vocês a dimensão disso. Na minha cabeça, elas falam e representam muito além do que minha pobre escrita conseguiu expressar.

    Mas é isso.

    Não deixem de conferir o blog das meninas que participaram desse momento louco da criação do projeto (elas são ótimas fotógrafas, ótimas escritoras e ótimas pessoas).
    Ana • Manu • Mia
    . 04 março 2018 .

    No final do ano passado (e início desse ano), me rendi aos inúmeros comentários sobre livros de autoajuda (ou mais ou menos isso) mais descontraídos e resolvi começar a leitura de dois livros: A Arte de Pedir, da maravilhosa Amanda Palmer; e A Sutil Arte de Ligar o F*oda-se, do Mark Manson, ambos publicados pela editora Intrínseca.

    Porém, para o meu espanto, nenhuma das leituras vingou e eu acabei deixando esses livros de lado. 

    Vale fazer resenha de livros abandonados? Eu digo que vale.


     A Arte de Pedir, Amanda Palmer

    Desdobramento inevitável da palestra homônima, o livro A arte de pedir trata essencialmente de recorrer ao outro, sem temor, sem vergonha e sem reservas. Por que não pedimos ajuda, dinheiro, amor, com a mesma naturalidade com que pedimos uma cadeira vazia num restaurante ou uma caneta, na rua, para fazer uma anotação? Pedir é digno e necessário, e é a conexão entre quem dá e quem recebe que enriquece a vida humana, defende Amanda. Longe de ser um manual sobre como pedir, o livro é uma provocação bem-vinda e urgente, que incita o leitor a superar seus medos e admitir o valor de precisar e doar ajuda, sempre.

    Amanda Palmer tem uma das vidas mais interessantes que alguém pode ter. Ela trabalhava como estátua humana em um cruzamento principal da Harvard Square, deixava qualquer ser humano entrar na sua casa para "compartilhar momentos e experiências", gravou o primeiro CD totalmente financiado com um projeto de  crowdfunding e se casou com um dos maiores escritores de ficção da atualidade. Ela também é especialista em destrinchar as coisas simples que se tornam uma grande questão na nossa vida. É como se ela pegasse todos os motivos de crise e overthinking dos millennials e os jogasse em cima da mesa: expostos, esmiuçados, explicados, quase resolvidos.

    Mesmo assim, em determinado ponto, o livro começa a ficar repetitivo demais e eu me vi ansiosa por qualquer parte que falasse um pouco mais sobre o Niel Gaiman (marido da Amanda), só para fugir dos discursos "acredite em mim" e "eu vejo você".

    Acredito que o principal aspecto que me fez abandonar o livro foi o excesso de referência às crises e dilemas dos millennials. Todo esse discurso jorra em toneladas na internet e eu simplesmente não aguento mais. É uma tremenda hipocrisia da minha parte criticar essa geração porque, bom, eu faço parte dela. Mas estou em um momento em que eu queria muito poder deixar todos esses aspectos de lado e só viver. Fazer coisas. Produzir. Manter as coisas simples. Sem grandes reflexões, nem grandes críticas. Apenas viver.

    Ah, e também teve um fato importante: Amanda Palmer ama pessoas. E eu não compartilho intensamente desse amor.

    - Palestra da Amanda Palmer para o TED Talks (que eu super recomendo)
    - Compre o livro (caso minha opinião tenha te deixado mais curiosa do que desmotivada)

    A Sutil Arte de Ligar o F*oda-se, Mark Manson

    Mark Manson usa toda a sua sagacidade de escritor e seu olhar crítico para propor um novo caminho rumo a uma vida melhor, mais coerente com a realidade e consciente dos nossos limites. E ele faz isso da melhor maneira. Como um verdadeiro amigo, mark se senta ao seu lado e diz, olhando nos seus olhos: você não é tão especial. Ele conta umas piadas aqui, dá uns exemplos inusitados ali, joga umas verdades na sua cara e pronto, você já se sente muito mais alerta e capaz de enfrentar esse mundo cão. Para os céticos e os descrentes, mas também para os amantes do gênero, enfim uma abordagem franca e inteligente que vai ajudar você a descobrir o que é realmente importante na sua vida, e f*da-se o resto. Livre-se agora da felicidade maquiada e superficial e abrace esta arte verdadeiramente transformadora.

    Nesse caso, sei exatamente o que fez com que todo mundo gostasse do livro menos eu: Mark Manson é o cara que diz o que todo mundo quer ouvir. Todo o discurso é muito bonito, mas muitas vezes é contraditório. Sabe quando você está de dieta e quer comer um doce? Mark é o cara que diz "Foda-se essa dieta, seja feliz, coma esse doce! Qual é o impacto maior na sua vida? Nenhum! Permita-se ser feliz" logo nas primeiras páginas. Porém, lá pelo meio do livro, ele também diz que "Você deve saber quais são suas prioridades. A dieta é sua prioridade? Então faça a dieta! Lute, resista! Assim você vai alcançar todos os seus sonhos".

    O autor não mente quando diz isso. Tudo é relativo, suas decisões dependem do momento e do contexto nas quais elas estão sendo tomadas. No entanto, ele coloca isso de uma maneira maquiada e feita para soar genial; coisa que tem me dado ranço, não só em livros de autoajuda mas em todos os textões politizados™ da internet. Todos são donos de uma verdade incrível que vai mudar o mundo,  mas nenhuma dessas verdades é novidade, muito menos fácil de praticar. A Arte de Ligar o F*da-se é mais um daqueles livros bonitinhos, cheios de frases ótimas para anotar na agenda, mas rasos em conteúdo.

    - Compre o livro (caso você queira tirar umas fotos bacanas pro Instagram) 


    Desde que li Girl Boss (da Sophia Amoruso) fiquei com a impressão de que todos esses livros de autoajuda e cases de sucesso compartilham a mesma estrutura: um início rico, cheio de frases de efeito e ensinamentos marcantes; um meio morno, extremamente repetitivo e recheado com clichês e um final previsível, pouco impactante, onde a emoção mais forte que se sente é o alívio (porque finalmente o livro acabou). Infelizmente, nenhum desses dois livros foi capaz de me provar o contrário.

    Será que fiquei com birra do gênero? Não sei dizer.

    Talvez eu só esteja com birra de tudo.

    Você leu esses livros? O que achou deles? Vamos conversar nos comentários (e no twitter, me segue lá).
    . 16 janeiro 2018 .

    Há mais ou menos dois anos, assisti um vídeo que ensinava a transformar um caderno pontilhado em um Bullet Journal. Aquela parecia a melhor forma de organizar seus compromissos e ideias; o casamento perfeito entre uma vida séria e organizada e mil possibilidades de decoração criativa. Eu, como uma boa entusiasta de tudo o que envolve papelaria, não tardei em comprar uma caderneta pontilhada e experimentar o método.

    Minha experiência não durou muito. Eu simplesmente não tinha tempo - nem talento, nem paciência - para organizar todas as páginas, escrever os calendários a mão, fazer legendas e essas coisas. Um dos maiores problemas que tive foi organizar as datas das provas da faculdade. Geralmente os professores marcavam com meses de antecedência e eu ainda não tinha feito a página index do mês, o que acabava me fazendo acumular um monte de anotações em lugares diferentes e perder tudo.

    Nesse início de ano, quando os perfis de Bullet Journal começaram a ficar cada vez mais populares, lamentei por não conseguir fazer aquelas páginas bonitas, desenhadas e organizadas como todas aquelas pessoas. Eu também queria entrar na brincadeira, mas usar o método para me organizar já tinha dado errado, então - na minha cabeça - nem adiantava tentar.

    Foi babando em um desses vários perfis de Bullet Journal que encontrei um "método alternativo": o Junk Journal.

    x - Na real, Junk Journal nada mais é do que um diário adolescente que passou pelo ~raio gourmetizador~

    O Junk Journal tem esse nome porque seu princípio é usar materiais que iriam para o lixo para registrar memórias e decorar o caderninho. Pode ser um ticket de estacionamento, ingressos do cinema, papel de bala ou de um bombom que você ganhou de um amigo, o retalho do pano de um vestido... qualquer coisa serve. A ideia é que esses objetos simbolizem os momentos especiais que você quer registrar.

    Além dessas colagens, você também pode usar o Junk Journal para escrever relatos dos seus dias (como em um diário), contos, crônicas, poemas, listas, receitas, mensagens fofinhas, treinar lettering, desenhar, colorir, aquarelar... enfim, qualquer coisa que você queira recordar. Como eu disse lá em cima, é bem um diário gourmetizado.

    Existem dois jeitos de começar seu Junk Journal: usar um caderninho já pronto ou juntar vários tipos de papéis e folhas diferentes e fazer seu próprio caderninho. Na primeira maneira basta pegar QUALQUER caderno e começar a preencher. A segunda já é um pouco mais trabalhosa: você vai precisar juntar algumas folhas e encaderná-las. Como o Junk é um tipo de Journal sem muitas regras, você pode costurar o caderno à mão, encadernar em alguma papelaria ou até mesmo fazer os furos e usar argolas para segurar as folhas juntas. No final do post tem alguns links que podem te ajudar caso você  queira confeccionar o seu.

    Os créditos dessas imagens estão nessa pasta, no pinterest - aproveita e me segue lá ;)

    A maior vantagem do Junk Jornal é que ele não exige uma frequência de uso. No Bullet Journal, é indispensável que as metas, tarefas, índices (e todas aquelas outras coisas) sejam atualizadas diariamente. Como o objetivo principal do Junk não é a organização - e sim a criatividade e o registro de memórias - você pode atualizá-lo conforme sua vontade e disponibilidade. Além disso, ele não demanda materiais caros (e, as vezes, difíceis de encontrar) para cumprir seu papel. Você pode começar a fazer o seu agora, usando qualquer material para registrar pequenas memórias do seu dia.

    LINKS BACANAS PARA CONHECER MAIS SOBRE O JUNK JOURNAL

    Nesse post tem algumas sugestões de materiais e exemplos de páginas (em inglês)
    Esse painel no Pinterest tem ideias de vários estilos (colagens com pano, com papel, desenhos, etc)
    Esse outro painel tem de tudo: sugestões de prompts, desenhos, colagens, etc (os prompts estão em inglês)
    Nesse vídeo, o Vitor Martins mostra seu Junk Journal e explica como encadernar usando apenas agulha e linha 
    A Tamy também ensina a encadernar, de um jeito mais sofisticado, nesse vídeo
    E tem várias imagens com ideias e inspirações no p4paper, no creativepassportorg e nas hashtags #junkjournal, #junkjournalling (no Instagram) e junkjournal (no Tumblr)

    Gostou da ideia? Me conta nos comentários se você já tentou o Bullet Journal, se deu certo e o que você achou do Junk Journal. Vamos conversar (e trocar dicas de papelaria haha)!
    . 16 outubro 2017 .

    Um pombo nunca cagou em mim.

    Nos primeiros anos do ensino fundamental era comum alguém faltar ou chegar atrasado na aula porque foi atacado por um cocô de pombo. Depois disso, já no ensino médio, lembro desse assunto vir à tona e as pessoas comentarem suas histórias e os transtornos que "o ocorrido" gerou: perdi uma prova, cheguei atrasado no curso, perdemos o casamento da minha prima. No meu primeiro emprego, conheci uma menina que sofreu três ataques na mesma rua em menos de um ano - inclusive, a gente passava nessa rua todos os dias.

    E eu só ouvia as histórias, calada.

    imagem por @lulithebunny

    Sei que deveria me sentir sortuda por nunca ter passado por isso, mas, na minha cabeça, é uma questão de probabilidade. A probabilidade de alguém encontrar um trevo de quatro folhas é uma em dez mil. Mas, se eu sou uma pessoa que planta cem trevos por dia, a cada dia que passa estou mais próxima de encontrar esse trevo.

    Faz sentido? Na minha cabeça faz.

    Ando no meio dos pombos de segunda a sábado, pelo menos duas vezes no dia, desde 2009. Oito anos, cerca de trezentos e doze dias por ano, pelo menos duas vezes no dia: são quase CINCO MIL contatos diretos com pombos. Isso sem contar as vezes em que saí pra almoçar (ida e volta, mais dois contatos por dia) ou em que tive que andar várias vezes na frente da mesma pastelaria (por que os pombos amam pastelarias? Fica o questionamento) ou dias anteriores a 2009 em que tive que sair fora daquela rotina casa-escola, escola-casa.

    A possibilidade de um pombo cagar na minha cabeça amanhã é iminente.

    Posso ser uma vítima A QUALQUER MOMENTO.

    Isso fez com que eu ficasse paranoica sobre pombos. Fujo deles como o diabo foge da cruz: atravesso ruas, mudo trajetos, tenho toda uma restrição sobre pastelarias. Pra piorar a paranoia, acabei de descobrir que o tal cocô "pode provocar micoses e problemas respiratórios semelhantes à meningite, como histoplasmose e criptococose ou a clamidiose (bactéria), que causa sintomas variados, de febre à problemas na respiração" (de acordo com uma fonte ~confiabilíssima~ que é o R7).

    O que os pombos pensam sobre a minha paranoia? Provavelmente, algo similar à isso: