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    supostamente, ela escreve

    Esse blog foi criado para que eu, Natália Oliveira, tivesse um espaço na internet para publicar meus textos. A bem da verdade, mais procrastino que escrevo, mas isso não me impede de sonhar acordada com o dia em que conseguirei escrever algo realmente bom. Sou saudosista da época dos blogs pessoais, gosto de histórias (e fofocas) e de jogos casuais. Esse blog já teve vários nomes (natalapses; natália non grata; olive trees, garnets and trains) e escrevo nesse espaço de forma inconstante desde agosto de 2016.

    Se quiser entrar em contato, basta deixar um comentário ou mandar um e-mail para mail.natalialvr@gmail.com.

    coleção de quotes – twitter – spotify – link afiliado da amazon
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    Em junho de 1976, os Sex Pistols fizeram um show em Manchester. Sem ensaio e sem repertório - já que o primeiro CD da banda só seria lançado cerca de um ano depois - o show foi tão ruim que a plateia, composta por cerca de 40 pessoas, saiu da pequena casa de show inglesa convicta de que conseguiria fazer algo melhor.

    O show medíocre foi o estopim para que Bernard Sumner e Peter Hook decidissem formar uma banda. Eles colocaram um anúncio em um jornal a procura de um vocalista e escolheram Ian Curtis sem ao menos fazer um teste. Meses depois, também por meio de um anúncio, Stephen Morris assumiu a bateria. Em 1978, os quatro rapazes lançaram quatro músicas compiladas em um EP: An Ideal for Living, a primeira gravação em estúdio da banda Joy Division.


    imagem por shelostcontrol-again.tumblr.com

    Em 1979, a Joy Division lançou seu primeiro álbum. Em linhas gerais, o Unknown Pleasures teve um sucesso tardio. Recebido com apatia por grande parte da crítica especializada, o disco ganhou notoriedade a partir dos anos 2000, marcando presença em várias listas como um dos melhores álbuns de todos os tempos. A capa icônica que, a grosso modo, representa a morte de uma estrela captada através de ondas de rádio, ficou popular na internet durante a ascensão do Tumblr, trazendo novos fãs para a banda - que, a essa época, já nasceram órfãos.


    Em 1980, Ian Curtis, responsável pelas letras pessimistas e pela voz rouca que dava o tom melancólico à banda, cometeu suicídio. Como uma forma de premonição bizarra e de péssimo gosto, a capa do segundo álbum da banda - que já estava finalizado quando Curtis faleceu - é composta pela foto de uma escultura presente em um dos jazigos do Cemitério Monumental de Staglieno. Cumprindo o acordo firmado entre os membros, a Joy Division teve fim logo após o lançamento do Closer. No mesmo ano, Bernard Sumner, Peter Hook e Stephen Morris se juntaram a Gillian Gilbert para formar o New Order.

    O New Order rompeu completamente com o estilo musical da Joy Division, se tornando uma das principais bandas de new wave dos anos 80 - gênero que Ian Curtis chamou de "estranho" em sua última entrevista. Mesmo assim, a banda costuma apresentar covers "repaginados" de músicas da Joy Division em seus shows, dando uma entonação mais dançante às composições originalmente soturnas. 

    Porém, ao meu ver (e essa é uma opinião que posso manifestar aqui porque, afinal, este é um blog pessoal), esses covers miram na homenagem, mas acertam no desrespeito. Nesse cover de Love Will Tear Us Apart, por exemplo, o tom da música é tão animado e dançante que soa como se estivessem dançando na cova de Ian Curtis. 

    lápide de Ian Curtis,
    cujo epitáfio é o título da música que o New Order canta com alegria e empolgação

    Pelas entrevistas, podemos perceber que todos os membros remanescentes da Joy Division se recusam a acreditar que Ian Curtis tinha depressão. Peter Hook, por exemplo, é enfático em dizer que ele era uma pessoa feliz, que "estava sempre rindo" e "gostava de piadas práticas", revelando uma visão estigmatizada de uma doença que não era abertamente discutida nos anos 80. Em função disso, os covers feitos pelo New Order tentam passar essa versão alegre de Curtis. Como um usuário do YouTube cirurgicamente apontou, o New order é basicamente uma negação da Joy Division.

    With Joy Division it sounds painful, With New Order it sounds joyful.
    New Order is basically the negation of Joy Division.

    Independente disso, ambas as bandas são responsáveis por influenciar incontáveis músicas contemporâneas. Por isso, um cover da Joy Division com um toque de New Order representaria não só a essência das duas bandas, mas também o impacto que ambas tiveram na cena musical - do pós-punk melancólico ao new wave dançante, do rock inglês ao pop norte-americano.

    22 anos depois...


    A história se repete - de uma forma menos trágica dessa vez. Após assistir a um show do Oasis, Brandon Flowers resolve criar uma banda de rock e conhece Dave Keuning por meio de um anúncio publicado em um jornal. Junto com Mark Stoermer e Ronnie Vannucci, eles formam o The Killers. As influências estão por toda parte: o nome da banda foi retirado de um videoclipe do New Order e seu último disco, Pressure Machine, tem mais referências a Joy Division do que consigo contar - começando pela capa. Por isso, nada mais justo que o The Killers se incumbir da missão de fazer a junção entre essas bandas lendárias.

    Closer (1980) x Pressure Machine (2021)

    Em 2007, a banda participou da trilha sonora do filme Control, que conta a história da Joy Division com foco na trajetória pessoal de Ian Curtis - o roteiro foi inspirado no livro Touching from a Distance, escrito pela esposa de Curtis. De acordo com Brandon Flowers, o diretor do filme pediu que o The Killers fizesse o cover de Shadowplay, sétima faixa do álbum Unknown Pleasures, para "mostrar que o Joy Division havia chegado até quatro crianças do deserto em Las Vegas, a mais de oito mil quilômetros de distância de Manchester". O resultado é uma música que respeita a tristeza da composição original e acrescenta o ritmo new wave sem pesar a mão.


    O lançamento da música veio acompanhado por um videoclipe com cenas do filme Control que mostram alguns dos principais momentos da história da Joy Division: o show dos Sex Pistols, a definição da capa do EP An Ideal for Living, o caderno onde Curtis escrevia suas composições (esse livro tem algumas fotos desse caderno) e vários outros detalhes da história da banda que ficaram de fora desse texto porque, afinal, isso aqui é um recorte. E foi assim que o The Killers conseguiu representar 30 anos de história em um cover.

    Algumas coisas que ficaram de fora do post


    • O famoso show dos Sex Pistols em Manchester é o ponto de partida do filme 24 Hour Party People, que retrata a cena musical de Manchester a partir da visão de Tony Wilson;
    • Tony foi baterista da Joy Division antes de se tornar empresário da banda. Ele também foi empresário do The Smiths e da Happy Mondays;
    • O nome "Happy Mondays" é um trocadilho feito com a música "Blue Monday", do New Order;
    • Morrissey (o controverso vocalista do The Smiths) e Mark E. Smith (vocalista do The Fall) também estavam no show dos Sex Pistols;
    • A depressão de Ian Curtis foi agravada por suas crises de epilepsia, que o impediam de fazer shows e de cuidar de sua filha Natalie;
    • A dança esquisita que Ian Curtis performava nos palcos era uma forma de tentar disfarçar suas crises epilépticas;
    • Deborah Curtis afirma que Ian teve um caso com a jornalista Annik Honoré. Até hoje, Annik nega o fato e afirma que os dois eram apenas amigos próximos #fofoca;
    • A música Colony, quarta faixa do álbum Closer, foi inspirada no livro Na colônia penal, de Franz Kafka;
    . 25 junho 2022 .

    shadowplay: 30 anos de história no cover do The Killers

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    . 25 junho 2022 .

    Em junho de 1976, os Sex Pistols fizeram um show em Manchester. Sem ensaio e sem repertório - já que o primeiro CD da banda só seria lançado cerca de um ano depois - o show foi tão ruim que a plateia, composta por cerca de 40 pessoas, saiu da pequena casa de show inglesa convicta de que conseguiria fazer algo melhor.

    O show medíocre foi o estopim para que Bernard Sumner e Peter Hook decidissem formar uma banda. Eles colocaram um anúncio em um jornal a procura de um vocalista e escolheram Ian Curtis sem ao menos fazer um teste. Meses depois, também por meio de um anúncio, Stephen Morris assumiu a bateria. Em 1978, os quatro rapazes lançaram quatro músicas compiladas em um EP: An Ideal for Living, a primeira gravação em estúdio da banda Joy Division.


    imagem por shelostcontrol-again.tumblr.com

    Em 1979, a Joy Division lançou seu primeiro álbum. Em linhas gerais, o Unknown Pleasures teve um sucesso tardio. Recebido com apatia por grande parte da crítica especializada, o disco ganhou notoriedade a partir dos anos 2000, marcando presença em várias listas como um dos melhores álbuns de todos os tempos. A capa icônica que, a grosso modo, representa a morte de uma estrela captada através de ondas de rádio, ficou popular na internet durante a ascensão do Tumblr, trazendo novos fãs para a banda - que, a essa época, já nasceram órfãos.


    Em 1980, Ian Curtis, responsável pelas letras pessimistas e pela voz rouca que dava o tom melancólico à banda, cometeu suicídio. Como uma forma de premonição bizarra e de péssimo gosto, a capa do segundo álbum da banda - que já estava finalizado quando Curtis faleceu - é composta pela foto de uma escultura presente em um dos jazigos do Cemitério Monumental de Staglieno. Cumprindo o acordo firmado entre os membros, a Joy Division teve fim logo após o lançamento do Closer. No mesmo ano, Bernard Sumner, Peter Hook e Stephen Morris se juntaram a Gillian Gilbert para formar o New Order.

    O New Order rompeu completamente com o estilo musical da Joy Division, se tornando uma das principais bandas de new wave dos anos 80 - gênero que Ian Curtis chamou de "estranho" em sua última entrevista. Mesmo assim, a banda costuma apresentar covers "repaginados" de músicas da Joy Division em seus shows, dando uma entonação mais dançante às composições originalmente soturnas. 

    Porém, ao meu ver (e essa é uma opinião que posso manifestar aqui porque, afinal, este é um blog pessoal), esses covers miram na homenagem, mas acertam no desrespeito. Nesse cover de Love Will Tear Us Apart, por exemplo, o tom da música é tão animado e dançante que soa como se estivessem dançando na cova de Ian Curtis. 

    lápide de Ian Curtis,
    cujo epitáfio é o título da música que o New Order canta com alegria e empolgação

    Pelas entrevistas, podemos perceber que todos os membros remanescentes da Joy Division se recusam a acreditar que Ian Curtis tinha depressão. Peter Hook, por exemplo, é enfático em dizer que ele era uma pessoa feliz, que "estava sempre rindo" e "gostava de piadas práticas", revelando uma visão estigmatizada de uma doença que não era abertamente discutida nos anos 80. Em função disso, os covers feitos pelo New Order tentam passar essa versão alegre de Curtis. Como um usuário do YouTube cirurgicamente apontou, o New order é basicamente uma negação da Joy Division.

    With Joy Division it sounds painful, With New Order it sounds joyful.
    New Order is basically the negation of Joy Division.

    Independente disso, ambas as bandas são responsáveis por influenciar incontáveis músicas contemporâneas. Por isso, um cover da Joy Division com um toque de New Order representaria não só a essência das duas bandas, mas também o impacto que ambas tiveram na cena musical - do pós-punk melancólico ao new wave dançante, do rock inglês ao pop norte-americano.

    22 anos depois...


    A história se repete - de uma forma menos trágica dessa vez. Após assistir a um show do Oasis, Brandon Flowers resolve criar uma banda de rock e conhece Dave Keuning por meio de um anúncio publicado em um jornal. Junto com Mark Stoermer e Ronnie Vannucci, eles formam o The Killers. As influências estão por toda parte: o nome da banda foi retirado de um videoclipe do New Order e seu último disco, Pressure Machine, tem mais referências a Joy Division do que consigo contar - começando pela capa. Por isso, nada mais justo que o The Killers se incumbir da missão de fazer a junção entre essas bandas lendárias.

    Closer (1980) x Pressure Machine (2021)

    Em 2007, a banda participou da trilha sonora do filme Control, que conta a história da Joy Division com foco na trajetória pessoal de Ian Curtis - o roteiro foi inspirado no livro Touching from a Distance, escrito pela esposa de Curtis. De acordo com Brandon Flowers, o diretor do filme pediu que o The Killers fizesse o cover de Shadowplay, sétima faixa do álbum Unknown Pleasures, para "mostrar que o Joy Division havia chegado até quatro crianças do deserto em Las Vegas, a mais de oito mil quilômetros de distância de Manchester". O resultado é uma música que respeita a tristeza da composição original e acrescenta o ritmo new wave sem pesar a mão.


    O lançamento da música veio acompanhado por um videoclipe com cenas do filme Control que mostram alguns dos principais momentos da história da Joy Division: o show dos Sex Pistols, a definição da capa do EP An Ideal for Living, o caderno onde Curtis escrevia suas composições (esse livro tem algumas fotos desse caderno) e vários outros detalhes da história da banda que ficaram de fora desse texto porque, afinal, isso aqui é um recorte. E foi assim que o The Killers conseguiu representar 30 anos de história em um cover.

    Algumas coisas que ficaram de fora do post


    • O famoso show dos Sex Pistols em Manchester é o ponto de partida do filme 24 Hour Party People, que retrata a cena musical de Manchester a partir da visão de Tony Wilson;
    • Tony foi baterista da Joy Division antes de se tornar empresário da banda. Ele também foi empresário do The Smiths e da Happy Mondays;
    • O nome "Happy Mondays" é um trocadilho feito com a música "Blue Monday", do New Order;
    • Morrissey (o controverso vocalista do The Smiths) e Mark E. Smith (vocalista do The Fall) também estavam no show dos Sex Pistols;
    • A depressão de Ian Curtis foi agravada por suas crises de epilepsia, que o impediam de fazer shows e de cuidar de sua filha Natalie;
    • A dança esquisita que Ian Curtis performava nos palcos era uma forma de tentar disfarçar suas crises epilépticas;
    • Deborah Curtis afirma que Ian teve um caso com a jornalista Annik Honoré. Até hoje, Annik nega o fato e afirma que os dois eram apenas amigos próximos #fofoca;
    • A música Colony, quarta faixa do álbum Closer, foi inspirada no livro Na colônia penal, de Franz Kafka;
    . 15 agosto 2020 .

    Green Day é a minha banda do coração desde que eu tinha uns doze anos de idade. Mesmo que meu gosto musical tenha mudado muito ao longo do tempo e que eu tenha dedicado muita atenção e amor a outras bandas nesse período, Green Day sempre está ali no background. Esse ano tem CD novo do Green Day? Billie quebrou uma guitarra no palco e depois foi pra rehab?Novo projeto paralelo (mais um)? Não importa o que eles façam, eu estou sempre de olho (aproveito o momento para agradecer a todos os perfis de fan clube e grupos do reddit que acompanham a banda de perto e me atualizam com as notícias - em especial ao GDEspionage que diariamente me alimenta com informações e memes).

    Há alguns dias, ficou muito popular na minha bolha no instagram um modelo de storie onde você fazia uma batalha entre músicas de uma determinada banda até chegar na sua música preferida. Fiz e compartilhei a do Green Day e apesar de ter sido muito legal, fiquei coçando para falar sobre músicas que não entraram na batalha de músicas. Poxa, a banda tá na ativa desde 1986! Muitas músicas excelentes ficaram de fora. Até considerei fazer alguns stories com a minha música preferida de cada álbum, mas descobri que não consigo escolher uma só. 

    Foto é de um ensaio fotográfico que a banda fez por volta de 1994/1995

    Primeiro, pensei em fazer esse post falando de cada um dos CDs, dos contextos em que foram lançados, das minhas opiniões sobre cada música, etc. No meio do processo, o post já estava gigantesco e eu pensei "poxa, acho que ninguém vai querer passar três horas lendo isso", então resolvi reduzir o post a uma playlist (maravilhosa) no Spotify com as minhas músicas preferidas de cada álbum de estúdio. 

    Aviso aos navegantes: essa playlist não contempla os álbuns ao vivo (são muitos), nem os projetos paralelos (que também são muitos) e as coletâneas, com exceção do disco 1,039/Smoothed Out Slappy Hours que tomou o lugar do 39/Smooth na discografia do Spotify - para quem ficou perdido no aviso, o CD 1,039/Smoothed Out Slappy Hours é uma coletânea lançada em 1991 que contempla o CD 39/Smooth e os EPs 1,000 Hours e Slappy.

     


    É muito legal poder revisitar todos os álbuns e músicas lançadas por uma das minhas bandas preferidas. Posso dizer que o Green Day fez parte da formação do meu caráter, acompanhou meu crescimento e me fez pensar muito sobre os meus posicionamentos políticos através de suas letras (vide o discurso que o Billie Joe faz no meio da música Minority, no DVD Bullet in a Bible e a apresentação deles no VMA de 2016). É muito satisfatório ver que uma banda, um grupo de artistas que eu admirava há mais de dez anos atrás continua sendo admirável - principalmente no contexto caótico em que estamos vivendo.

    Espero que vocês tenham gostado da playlist e do post. Deixa aí nos comentários alguma banda que te acompanha desde a adolescência e qual a sua música preferida deles (e tudo bem se você também for uma pessoa indecisa e quiser citar mais de uma, ou até me mandar uma playlist).

    Você também pode conversar comigo sobre bandinhas lá no twitter.
    . 14 março 2017 .


    Logo nos meus primeiros dias de trabalho no meu emprego atual, conheci uma estagiária muito legal que gostava de conversar comigo sobre livros e músicas. Um dia, enquanto nós estávamos dedicadas ao exercício de exaltar a música britânica, ela me fez a seguinte pergunta: você já ouviu Jake Bugg?

    Eu disse que não, ela disse pra eu ouvir. Isso voltou pra minha mente quando, ouvindo a trilha sonora de A Culpa É Das Estrelas, reconheci o tal menino Jake cantando Simple as This. Ouvi a discografia do cara e foi amor à primeira vista.

    Acompanhei o lançamento do CD novo dele (inclusive, anotei a data na minha agenda) e vivi os últimos dois anos vendo cada música dele se impregnar em cada linha da minha história. Percebi o quanto ele cresceu musicalmente e me apaixonei por cada letra de cada música que ele já tinha escrito. Acompanhei a vida dele da maneira mais natural possível e foi quase como se eu estivesse ali, do ladinho dele, compartilhando cada experiência.


    Observei uma vontade louca de mudar nascer bem no meio da minha rotina, fui numa festa na casa de um grupo de gangsters onde todo mundo tinha uma faca, vi umas coisas erradas no mundo, percebi o quão frustrante é não corresponder às expectativas de alguém que você ama, desapaixonei, apaixonei outra vez, me vi descrita em alguns versos e fiquei maravilhada com a beleza da arte, mesmo nos momentos de maior sofrimento.

    Quando eu olho pro Jake e pros amigos de banda dele, sinto como se estivesse passando o tempo com uns amigos. Talvez seja porque eles são muito simpáticos (e muito zoeiros, mesmo que de um jeito sutil) ou talvez eu seja só mais uma fã louca que acha que consegue enxergar o ídolo mais do que todo mundo.

    No final do ano passado, a Queremos! anunciou que ia trazer o Jake pra fazer três shows no Brasil. Pra mim, ir nesse show era tão possível quanto escalar o Monte Everest de biquíni. Sorte minha (e do resto da humanidade) que Shonda Rhimes existe pra escrever livros inspiradores como O Ano Em Que Disse Sim, que fazem a gente refletir sobre a nossa vida e começar a correr atrás dos nossos sonhos.


    Quando paro pra pensar nisso, percebo que parte mais difícil foi destruir a barreira que eu criei dentro da minha mente, que me dizia o tempo todo que ir nesse show era impossível. Foi muito simples comprar o ingresso e ir. Deixo aqui meus agradecimentos à Stephanie que topou encarar essa e dividiu o quarto dela comigo mais uma vez (sigam a Teeh no Twitter e visitem o blog dela, ela é muito legal). 

    Quando saí do show, finalmente percebi porque essa geração da internet vive nos dizendo pra gastar dinheiro com experiências, não com coisas. Não tenho palavras pra descrever o que eu senti durante o show, nem a emoção de ver ele tocando ao vivo. Agora sou testemunha de que os sonhos podem ser vividos e que é possível colocar amor nas coisas que a gente faz. Senti esse amor em cada nota, a intensidade de alguém que faz aquilo que ama. Foi uma das coisas mais incríveis que já vivi.

    Pra quem quer saber da música, só posso dizer que o Jake é tudo aquilo o que tem no CD e um pouco mais. Ele consegue reproduzir as músicas perfeitamente só com um microfone e com um violão. A banda dele é igualmente talentosa. O diferencial é a emoção do momento. Garanto que nunca mais vou ouvir os CDs do Jake da mesma forma.


    Eu não tive ânimo pra correr atrás dele e da equipe, descobrir em qual hotel estavam, esperá-lo no aeroporto nem nada disso, mas continuo sonhando com o dia em que vou sentar num canto qualquer e bater um longo papo sobre qualquer coisa enquanto a gente toma uma breja: eu, Jake, Tom, Jack e Mike. Até ontem, ir nesse show parecia um sonho tão distante quanto esse, então por que não sonhar mais?

    Tenho orgulho de dizer que todas as fotos maravilhosas desse post foram tiradas por mim e que eu estava chorando horrores quando gravei esse vídeo dele sorrindo.

    Come back soon, Jake. You'll be aways welcome. 

    . 03 outubro 2016 .

    Ontem, dia 02 de outubro, o segundo CD de estúdio do The Killers comemorou 10 anos de lançamento. Pra quem não sabe, The Killers é a banda da minha vida. Isso porque todas as letras parecem ter sido escritas pra mim. Sem falar no ritmo meio balada, meio pop, meio rock, meio alternativo, meio tudo. Uma banda que consegue transformar uma batida de funk numa introdução maravilhosa de uma música sobre o Rio merece um lugar no meu coração.


    O disco recebeu este nome em homenagem ao Sam's Town Hotel (esse da foto), um hotel-casino de Las Vegas. Sam's Town também estava escrito em uma grande placa que o baixista da banda, Mark Stoermer, viu da janela do seu quarto quando ele era jovem.

    Pra comemorar, resolvi fazer esse post com as minhas 5 músicas preferidas do CD e alguns trechos. Pra quem já conhece o CD e a banda, aproveitem a vibe e me contem qual a preferida de vocês. Pra quem não conhece, abra seu coração e aceite o poder de Brandon, Dave, Mark e Ronnie na sua vida; você não vai se arrepender (promise).


    5. BONES


    Don't you wanna come with me?
    Don't you wanna feel my bones on your bones?
    It's only natural.
    Don't you wanna swim with me?
    Don't you wanna feel my skin on your skin?
    It's only natural.

    Bones é aquela música que começa a tocar no seu fone e você acha que é seguro cantarolar. 2 minutos depois você está berrando e performando a música em local público, soltando seus demônios mais profundos e passando aquela vergonha básica.

    O clipe foi dirigido por ninguém mais ninguém menos que Tim Burton. Chiquérrimo. Além disso, temos o Dave fazendo cosplay de Ray Toro.

    Separados por um terno e um babyliss

    Reparem nas dancinhas do Brandon, por favor ♥


    An angel whispers my name but the message relayed is the same:
    "Wait till tomorrow, you'll be fine."
    But it's gone to the dogs in my mind


    4. READ MY MIND


    The good old days, the honest man
    The restless heart, a promised land
    A subtle kiss that no one sees
    A broken wrist, the big trapeize

    Read my mind é aquela música sobre tudo e sobre todos. Você pode ouvir quando estiver feliz ou quando estiver no fundo do poço, ela serve pra qualquer situação. Brandon disse que essa é a melhor música que eles já escreveram. Se Brandon disse, quem somos nós pra discutir, não é mesmo?

    O clipe dessa foi gravado em Tokio, no Japão. Oportunidade única de ver o Dave brincando de ser guarda de trânsito e o Ronnie tocando bateria de Guitar Hero e dormindo com uma minhoca gigante. É.


    Well I don't mind if you don't mind
    Coz I don't shine if you don't shine
    Before you jump
    Tell me what you find
    When you read my mind

    3. SAM'S TOWN


    I've got this energy beneath my feet
    like something underground's gonna come up and carry me
    I've got this sentimental heart that beats
    but I don't really mind and it's starting to get to me

    A música que dá título ao CD não pode deixar de ficar de fora. Sempre ouço essa música quando tenho medo de expor alguma opinião ou quando me sinto mal, porque ela transmite exatamente o que eu sinto. Na verdade, eu não poderia colocar meus sentimentos em outras palavras.

    É claro que eu deveria colocar a versão original aqui, mas essa versão no piano é tão ♥


    And I'm sick of all my judges, so scared of letting me shine
    But I know that I can make it as long as somebody takes me home

    2. WHY DO I KEEP COUNTING?


    Oh these years have been so trying, 
    I don't know if I can use them. 
    Am I strong enough to be the one? 
    Will I live to have some children?

    A letra dessa música é tão boa que dá vontade de tatuar ela na cara! (sim, eu empolgo).

    Why do I keep counting é aquela música que tá bem no fim do álbum, não tem uma introdução cativante e, a princípio, é daquelas que você nunca vai ouvir direito e nunca vai ser uma das preferidas. Não é single, não era tocada em um show desde 2007, não é ninguém na fila do pão.

    Eis que um dia eu estava na bad, pensando sobre todas as obrigações da vida adulta e duvidando da minha capacidade de dar conta de tudo, e essa música tocou nos meus fones. Preciso dizer que ela me fez sentir menos incompreendida? Acho que nem preciso.


    If I only knew the answer. 
    If I change my way of living, 
    and if I pave my streets with good times, 
    Will the mountain keep on giving? 
    And if all of our days are numbered, 
    Then why do I keep counting?


    1. WHEN YOU WERE YOUNG


    They say the devil's water, it ain't so sweet
    You don't have to drink right now
    But you can dip your feet every once in a little while

    Basicamente, essa é a música da minha vida ♥♥♥

    Ela foi o single de estréia do Sam's Town e um dos maiores sucessos do The Killers (perdendo só pra Mr. Brightside). Já foi top 100 das mais vendidas do iTunes, já foi indicada ao Grammy, já rendeu cover pra umas bandas, tá presente nos joguinhos de música e está no topo do meu coração.

    O clipe dela foi gravado no México e, sinceramente, eu não gosto muito (apesar de transmitir bem a dor e o sofrimento de ficar sited there in your heartache waiting on some beautiful boy to save you from your old ways e as consequências de se fazer isso, etc)*.



    You sit there in your heartache
    Waiting on some beautiful boy
    To save you from your old ways
    You play forgiveness
    Watch it now- here he comes

    He doesn't look a thing like Jesus
    But he talks like a gentlemen
    Like you imagined when you were young

    Claro que teve uma grande comemoração em torno do aniversário de 10 anos do Sam's Town. Durante o mês de setembro a conta oficial do The Killers no Twitter publicou várias fotos daquela época, junto com as letras das músicas. Também lançaram uma edição especial de aniversário em vinil e um show comemorativo que ocorreu no próprio hotel-cassino Sam's Town, em que a banda tocou o CD na íntegra. Vou deixar umas notícias aqui embaixo pra quem quiser saber mais:

    Há 10 anos o The Killers lançava Sam’s Town, seu segundo disco
    The Killers | Os 10 anos de Sam’s Town
    The Killers relança “Sam’s Town” em comemoração aos 10 anos do disco
    The Killers lança em outubro edição comemorativa de 10 anos do disco 'Sam's Town'
    Em exposição no hotel as críticas do Sam's Town feitas no lançamento há 10 anos
    10 years on: Why The Killers’ Sam’s Town is one of the best albums of the century
    10 Years On: Remembering The Killers’ Sam’s Town
    The Killers Come Home Again with Triumphant 'Sam's Town' Anniversary Show

    Me contem o que vocês acharam do CD, da banda, de tudo. Aproveitem e me contem se vocês também tem uma banda do coração e quais são suas músicas preferidas (tô precisando aumentar minhas playlists hehe).