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mastering the art of starting over

14 setembro 2021

Se uma árvore cai na floresta e ninguém está perto para ouvir, ela faz algum som?

Para Bakhtin, o sentido de um texto é produzido na relação entre o leitor e leitura. A partir dessa perspectiva, o escritor precisa dos leitores para conferir sentido ao texto, pois as palavras sozinhas não são nada sem o leitor para produzir sentido a partir delas. Em outras palavras: um texto precisa ser lido por alguém.

Essa questão sempre foi um dilema para mim. Como pessoa que escreve, sempre vivi na dicotomia entre "que vergonha, tomara que ninguém leia isso" e o "por favor leia esse texto, goste desse texto, eu imploro". Mas essa questão piorou muito com a ~evolução~ da internet e popularização das redes sociais.

imagem por @guusbaggermans

No mês passado o Lucas Inutilismo postou um vídeo falando sobre as mudanças do mundo -  principalmente na internet - e como é difícil acompanhar todas essas novas fases, lidar com as pressões das expectativas (e com o tal fear os missing out) e entender onde a gente se encaixa no meio de tudo isso. É um vídeo confuso, mas é justamente essa confusão que faz com que ele represente tão bem minha relação com as coisas que tento produzir para a internet. 

Quero escrever do meu jeito, mas a internet (principalmente as redes sociais) apresenta uma demanda diferente das minhas vontades. Ao mesmo tempo, também quero seguir o manual de produção & engajamento para que mais pessoas leiam meus textos e se identifiquem com eles (afinal, os textos precisam ser lidos por alguém, certo?). Por outro lado, sinto que essas regrinhas empurram o conteúdo para um âmbito mais vago e descartável - e, na minha cabeça, menos valioso. Tudo isso se mistura em uma confusão de sentimentos e a multiplicidade de escolhas que tenho que fazer toda vez que decido compartilhar algo é paralisante.

No meio dessa confusão, já criei e excluí muitos blogs e contas nas redes sociais. E quando digo muitos, não é um eufemismo: mantenho pelo menos um espaço ativo na internet desde a época em que os blogs eram hospedados no uol blog com o domínio zip.net. Porém, nenhum deles durou mais do que dois anos. Sempre passo pelo mesmo ciclo: criação, sentimento de inadequação, frustração e exclusão. 

Give me a pen, I need writing, another ending
It didn't turn out the way that I wanted

Felizmente, consegui colocar uma barreira antes de chegar na etapa de exclusão dos meus dois últimos blogs: o Lapsos e o natalia non grata. Coloquei alguns posts desses dois blogs nesse terceiro. A intenção é revisitar e adicionar alguns comentários nos posts mais antigos (principalmente do Lapsos) e escrever alguns posts novos. Sim, vou tentar, mais uma vez, escrever para me expressar, sem muita pressão sobre frequência e engajamento. 

E com isso espero que a resposta para a pergunta "se uma árvore cai na floresta e ninguém está perto para ouvir, ela faz algum som?" seja "sim" - nem que seja para que a árvore possa reafirmar sua própria existência.

reality shows para assistir na netflix

22 fevereiro 2021

Não importa o quão caricato ou estranho seja, se existe um reality show eu provavelmente vou assistir e gostar. Quem me segue lá no twitter já deve ter me visto comentando algum episódio de Cake Boss, Muquiranas ou Cupom Mania; mas, na verdade, eu assisto muitos outros: Mundo Amish (um dos meus preferidos da vida), Chegou Honey Boo Boo - e os spin-offs, Mama June: Vida Nova e Mama June: Family Crises, 4 Mulheres e 1 Marido), Irmãos à Obra, Ame-a ou Deixe-a e muitos outros. 

Para quem tem acesso à programação da TV fechada, o cardápio de realitys é gigantesco. Costumo assistir os que passam no TLC e no Discovery Home&Health, mas temos vários outros canais - se você for bem abrangente, dá para considerar que a maior parte da programação do Animal Planet é um reality show da vida animal. Mas, para quem vive no Brasil e só tem acesso à TV aberta a lista é bem mais limitada. A maioria dos realitys se concentram em temas bem batidos, como confinamento (BBB e A Fazenda), culinária (Masterchef e Bake Off Brasil) e música (The Voice, Ídolos e Popstars). Ocasionalmente aparece algo diferente e extravagante, como o Fábrica de Casamentos (vale a pena procurar alguns episódios no YouTube), ou um programa para humilhar pessoas (geralmente pobres), como o Esquadrão da Moda, mas nada muito inovador.

imagem por @frandreotti

Vou fazer uma pausa aqui para lembrar do rolê maravilhoso que foi o lançamento da Casa dos Artistas no SBT - facilmente um dos melhores reality shows que já desfilaram na TV brasileira. No desespero para concorrer com o BBB, o senhor Sílvio Santos (que já era idoso naquela época) contratou uma empresa para "dar umas ideias" sobre realitys de confinamento. Aparentemente a ideia era importar algum formato (como a Band fez com o Masterchef, por exemplo), mas o Sílvio deu um golpe na galera: dispensou todos os formatos e não contratou a empresa, mas copiou tudo o que eles apresentaram e fez o próprio programa. O maior trunfo da Casa dos Artistas é que o Sílvio inventava as regras na hora: se uma pessoa que ele gostava fosse eliminada, ele anulava a eliminação. Alexandre Frota chegou a "pular o muro" da casa e fugir do reality, voltando três dias depois como se nada tivesse acontecido. Crème de la crème.

Enfim, o mundo dos realitys é como um poço sem fundo: você entra e não consegue sair mais. Fica aqui o aviso. Mas se você também pertence ao clube das pessoas que amam perder um tempinho na frente da TV - ou simplesmente deixam um conteúdo leve tocando como plano de fundo enquanto fazem outras coisas - vem comigo porque hoje eu trouxe algumas dicas de reality shows que você pode assistir na Netflix.


Blown Away (Vidrados)

Vidrados é uma competição onde dez sopradores de vidro precisam criar obras de acordo com o briefing apresentado pelos jurados. Sim, você não leu errado: sopradores de vidro! Confesso que ri com o mais puro deboche quando descobri esse reality - "soprar vidro? Hahahah olha o desespero da Netflix!". Acabei assistindo "pela piada" e não deu outra: paguei língua! A dicotomia entre a brutalidade das oficinas, o esforço físico que os artistas empregam e a delicadeza das obras de arte é hipnotizante. Os resultados são maravilhosos! Não existem palavras que eu possa usar para transmitir a minha admiração pelas peças que os competidores conseguem criar. Já me peguei várias vezes pensando "ok, quanto dinheiro eu preciso juntar para comprar essa peça?" - e desistindo logo em seguida porque, né? São peças de vidro, provavelmente caríssimas. De longe é o meu programa preferido dessa lista e eu imploro para que você assista!

Zumbo's Just Desserts 

Zumbo's Just Desserts entra numa categoria de reality shows que eu amo: programas culinários australianos. O Masterchef Austrália é de longe o meu preferido (abraço pro Marco Pierre White e suas vieiras) e a cara do Adriano Zumbo não me era estranha justamente porque ele costuma fazer algumas participações por lá. A diferença entre o Zumbo's Just Desserts e os outros realitys culinários que focam em sobremesas (como o Sugar Rush, por exemplo) é que os pratos são verdadeiras obras de arte. Cada vez que a colher de algum dos jurados bate na sobremesa, quebrando ela em pedaços comestíveis, meu coração se quebra um pouquinho também (Já deu para perceber que eu sou apaixonada pela estética das coisas, né? #libriana).



Next in Fashion

Para te convencer a assistir esse reality eu só preciso citar dois nomes: Alexa Chung e Tan France. Sinceramente não entendo muito de moda, mas foi bem interessante aprender um pouquinho e ver as criações dos competidores (que também seguem um briefing preestabelecido). Ver como as pessoas conseguem se expressar através da moda usando roupas de brechó ou fast fashions já é um passatempo bem divertido, mas garanto que acompanhar todas as etapas de produção e entender o conceito por trás de cada peça é bem mais legal - mesmo para leigos, como eu. Infelizmente a série só tem uma temporada e a Netflix decidiu não produzir uma segunda.

Floor is Lava (Jogo da Lava)

Sabe aquele programa de TV que você assiste enquanto joga uma fase de Candy Crush ou vasculha o Twitter à procura de memes? Floor is Lava é esse programa! É uma mistura entre escape room, esse clipe do The Strokes e aquela brincadeira em que as crianças ficam passando de um lugar para o outro sem pisar no chão. A cada episódio, três grupos de três participantes tentam cruzar um ambiente pisando na "mobília", escalando paredes e se pendurando em cordas enquanto um líquido vermelho vai cobrindo as superfícies e deixando o jogo mais difícil. O que mais posso dizer? É simplesmente divertido ver gente escorregando ao tentar pular de cara em uma mesa torta. O reality tem a energia das Olimpíadas do Faustão (e do jogo Fall Guys) e spoiler: tem crossfiteiro perdendo para um grupo de patricinhas que se apresentaram como "especialistas em selfie". Simplesmente perfeito.



Nailed It! (Mandou Bem!)

No início da quarentena, as pessoas começaram a cozinhar por hobbie. Algumas se dedicaram e aprenderam a fazer um monte de pratos elaborados e deliciosos, enquanto outras queimaram tudo e renderam conteúdo para a página @chefsnaquarentena. Esse segundo grupo representa muito bem o espírito de Nailed It!, uma competição entre pessoas que gostam, mas não sabem muito bem como cozinhar. A cada rodada, os participantes precisam imitar um bolo, cupcake ou outra sobremesa. O ponto alto de cada uma das rodadas é a comparação entre a expectativa e a realidade. O que eu mais gosto nesse programa é que os apresentadores são muito divertidos e, apesar de rirem muito da bagunça que os participantes fazem, eles sempre encontram pontos positivos para elogiar. Uma fofura.

The Big Flower Fight (Batalha das Flores)

Na semana passada, soltei uma "prévia" desse post no instagram e a Andréa comentou lá dizendo que gostou muito de Batalha das Flores. Eu já tinha visto o card desse reality na página inicial da Netflix, mas não dei muita bola... Erro feio, erro rude. É impressionante o que os competidores conseguem fazer com as flores! Eles criam estruturas gigantes, com texturas e cores incríveis e fica até difícil acreditar que tudo ali é feito com plantinhas. Além disso, a dinâmica entre os participantes é linda demais! Apesar da rivalidade intrínseca à competição, eles se ajudam, se apoiam, se admiram... Maratonei todos os episódios no fim de semana e quase morri de fofura a cada episódio. Obrigada pela dica, Andréa

Espero que vocês tenham gostado do post de hoje e que esses programas deixem o dia de vocês um pouco mais leve, divertido e/ou inspirador. Comenta aqui embaixo se você já assistiu algum dos programas que eu indiquei aqui e qual o seu reality show preferido (aceito dicas!).

resenha: lady killers

10 fevereiro 2021

Mulheres matam: eis um fato que a sociedade parece ter dificuldade em aceitar. Quando se trata de serial killers, isso fica ainda mais evidente. A disparidade entre o tratamento dos assassinos em série pela mídia é notável: enquanto homens recebem grande notoriedade e têm seus nomes perpetuados pelas manchetes (como exemplo, podemos citar Ted Bundy, personagem principal de uma série de produções - incluindo um filme  onde Zac Efron interpreta o assassino); as mulheres recebem apelidos vagos ("a assassina de fulano") e caem no esquecimento após certo período de tempo. 

Aqui, estamos falando especificamente de assassinas em série. Alguns assassinatos cometidos por mulheres tem notoriedade na mídia à longo prazo, mesmo que essa cobertura seja permeada de estereótipos. Mas, por hora, não vamos entrar nesse assunto. 

Lady Killers foi publicado com a proposta de mudar esse cenário ao jogar luz sobre catorze casos relacionados a ação de assassinas em série: mulheres que mataram repetidas vezes, com modus operandi e assinatura definidos. Ao abordar assassinatos ocorridos em diversas décadas (Alice Kyteler, uma das mulheres listadas no livro, nasceu em 1263), Tori Telfer mostra que assassinas em série existiam e continuam a existir independente da forma como a sociedade reage a seus crimes. Mas seria isso suficiente para livrar essas mulheres dos estigmas e evidenciar a necessidade de se dar atenção a esses casos?

Livro: Lady Killers: Assassinas em Série
Escritora: Tori Telfer
Publicação: Esse livro foi publicado pela Darkside Books

Sinopse: Quando pensamos em assassinos em série, pensamos em homens. Mais precisamente, em homens matando mulheres inocentes, vítimas de um apetite atroz por sangue e uma vontade irrefreável de carnificina. As mulheres podem ser tão letais quanto os homens e deixar um rastro de corpos por onde passam — então o que acontece quando as pessoas são confrontadas com uma assassina em série? [...] Lady Killers: Assassinas em Série é um dossiê de histórias sobre assassinas em série e seus crimes ao longo dos últimos séculos [...]. Por que continuamos lembrando apenas de H.H. Holmes quando Kate Bender recebia viajantes em sua hospedaria (e assassinava todos que ousavam flertar com ela)? A linha que divide o bem e o mal atravessa o coração de todo ser humano.

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Tori começa o livro com um discurso muito bem elaborado acerca da representação simbólica das mulheres assassinas - elas eram retratadas como bruxas cruéis, sedutoras irresistíveis ou como a pura encarnação do mal - e aponta a necessidade de tratarmos esses eventos para além dessas fantasias. Mulheres matam e podem matar mais de uma vez. De fato, elas podem ser tão ou até mais cruéis do que os homens. Quantas assassinas não escaparam da justiça por não se encaixarem no padrão de criminoso que a polícia procura? Quantas vidas poderiam ter sido salvas se nos livrássemos desse estigma? Essa foi minha parte preferida do livro porque, de fato, faz sentido. Os tabus da sociedade frequentemente limitam a liberdade das mulheres e nos colocam à mercê da violência de gênero, mas quantas mulheres não conseguiram se esconder atrás dessa "cortina de fumaça" para praticar seus crimes sem serem capturadas? 

Cabe ressaltar: não estou dizendo que todas as mulheres utilizam esses tabus a seu favor para cometer crimes ou se safar de situações desfavoráveis. Na prática, a maioria das mulheres sofre violência doméstica, agressão sexual e mais um monte de violências em função dos estigmas associados ao gênero. Entretanto, não podemos negar que, em menor escala e em alguma medida, é muito provável que mulheres tenham conseguido se safar de crimes apenas por serem julgadas fracas demais para cometê-los.

Deu para entender, né? Não estou dizendo que subjugar mulheres é uma coisa boa. Por favor, não coloque palavras na minha boca - ou no meu teclado. Não faça isso. EU IMPLORO. Se você entendeu que eu disse que a opressão feminina é um benefício, volta os parágrafos e lê outra vez! Não tire a minha fala de contexto!

Entretanto, a crítica de Tori para por aí. Ela parece ter se esquecido de seu próprio discurso ao adicionar detalhes estigmatizantes e boatos em todos os casos. O capítulo que melhor retrata esse aspecto diz respeito aos crimes cometidos por Kate Bender e sua família. Em função do tempo que se passou entre os assassinatos e a descoberta deles e da ausência de uma confissão (já que nenhum membro da família chegou a ser preso), não há como saber exatamente como os crimes foram executados.  Mesmo assim, Tori baseia todo o texto nas fofocas da época, afirmando que Kate seduzia as vítimas, as matava com golpes na cabeça ou cortes no pescoço e as multilava durante "ataques de fúria". Ao ignorar a ação dos outros membros da família, bem como demonizar e sexualizar a assassina (colocando-a no papel de "sedutora irresistível"), a autora perpétua os maus hábitos outrora criticados por ela mesma.
 
Entendo perfeitamente que os arquivos que documentam essas histórias provavelmente estão contaminados com a visão fantasiosa da época em que foram produzidos, mas Tori não deixa isso claro na narrativa. Pelo contrário, ela reproduz esse discurso como se fosse uma "verdade quase absoluta". Claro, ela coloca um ou outro questionamento - "será que isso não está exagerado demais?" - mas a linguagem informal e o contraste entre a quantidade de críticas (pontuais) e a quantidade de alegações fantasiosas sobre os crimes cometidos (o resto) suprimem essas críticas.

Concluo que Lady Killers é um best-seller por falta de opção. Como existem poucos livros acessíveis a respeito de crimes cometidos por mulheres - principalmente se levarmos em consideração a abundância de material a respeito dos serial killers homens - esse material acaba por se tornar "o caminho mais fácil".

Por mais que eu não tenha gostado da forma como as mulheres e seus crimes são apresentados na narrativa, achei a leitura válida. Procurar conteúdos sobre assassinas em série é uma tarefa difícil - não porque os dados não estejam disponíveis, mas porque raramente temos um norte. Sem um nome, um caso específico pelo qual buscar, acabamos sempre nos deparando com os mesmos 2 ou 3 resultados. E é por isso que acredito que a maior contribuição dessa edição publicada pela Darkside se concentra na Galeria Letal (+14 damas). Esse apêndice exclusivo foi elaborado pelo blog O Aprendiz Verde e contém assassinas em série contemporâneas (cujo modus operandi vai além do envenenamento por arsênico) e casos que ocorreram na América do Sul, ausentes na documentação elaborada por Tori.

Caso vocês queiram buscar mais informações sobre as 14 mulheres apresentadas por Tori, deixo aqui uma lista com os nomes, anos de nascimento e de morte e os locais de atuação de cada uma delas. Aproveito para recomendar o vídeo "Elizabeth Báthory, a condessa sangrenta", do Nerdologia Criminosos, que responsavelmente possui uma lista de referências que você pode consultar aqui e os episódios do podcast Boo e Outras Coisas que, apesar de serem baseados no livro, não apresentam tantos julgamentos de valor na narrativa.

  • Elizabeth Báthory (1560-1614, Hungria)
  • Nannie Doss (1905-1965, Estados Unidos)
  • Lizzie Halliday (1959-1918, Estados Unidos)
  • Elizabeth Ridgeway (indefinido-1684, Inglaterra)
  • Raya e Sakina (indefinido-1921, Egito)
  • Mary Ann Cotton (1832-1873, Inglaterra)
  • Darya Nikolayevna Saltykova (1730-1801, Rússia)
  • Anna Marie Hahn (1906-1938, Estados Unidos)
  • Oum-el-Hassen (1890-indefinido, Argélia)
  • Tillie Klimek (1876-1936, Estados Unidos)
  • Alice Kyteler (1263-1325, Irlanda)
  • Kate Bender (indefinido - os crimes ocorreram após 1870, Estados Unidos)
  • Criadoras de Anjos de Nagyrév (1914-1926, Hungria)
  • Marie-Madeleine (1630-1676, França)

Se você já leu Lady Killers, comenta aqui embaixo o que você achou do livro. Estou ansiosa para discutir sobre isso porque a maioria das resenhas que li tinham avaliações muito positivas. E se você gosta de true crime, junte-se ao clube (!) porque pretendo postar mais resenhas de livros dentro desse tema.

olhando para trás: 5 coisas sobre o meu 2020

18 janeiro 2021

Se eu tentasse escrever uma reflexão sobre o ano de 2020, falharia miseravelmente. Dificilmente vou dizer algo que outra pessoa não tenha dito antes seja bem vinda à internet, natalia e que não ofenda ninguém - afinal, o que eu mais vi no final do ano foram tweets que criticavam as pessoas que tiveram experiências positivas em 2020 (positividade tóxica!), tweets que criticavam as pessoas que criticavam as pessoas que tiveram experiências positivas em 2020 (deixe as pessoas serem felizes!) e tweets que criticavam as críticas feitas pelas pessoas que criticavam as pessoas que tiveram experiências positivas em 2020 (tenha noção, estamos no meio de uma pandemia. Pessoas estão morrendo!). 

Soou confuso? Então combina com 2020.

Faço parte do grupo privilegiado de pessoas que puderam trabalhar em casa e manter o distanciamento social - que, no meu caso, virou isolamento parcial - e passei a maior parte do ano alternando o olhar entre a tela do computador e a parede branca. Nesse contexto, que variava entre o mais completo marasmo e o mais completo caos, acabei refletindo sobre os meus hábitos, minha vida, o universo e tudo mais. Não porque eu quisesse refletir (longe de mim), mas porque foi inevitável não pensar e repensar sobre uma série de questões. A partir delas, mudei alguns hábitos, consolidei algumas percepções e tudo isso foi de grande ajuda para que eu conseguisse terminar 2020 com algum resquício de sanidade mental.

Para inaugurar a fase 2021 desse blog - e inspirada pelo post da k. - resolvi postar uma compilação dos desdobramentos mais úteis que partiram dessas reflexões. De certa forma, são cinco mini posts, já que eu certamente faria textos maiores e mais pessoais sobre esses assuntos - se estivéssemos em 2008 e eu tivesse tempo livre suficiente para passar todo o fim de semana esperando que a minha internet discada e o Internet Explorer estivessem se entendendo bem. Eis um prato cheio para quem sente saudade dos ~blogs pessoais

imagem por @lgnwvr

sobre skincare

Definir uma rotina de skincare é bem mais fácil quando você procura um dermatologista antes de sair gastando dinheiro em um monte de produtos caros recomendados por blogueiras que não tem o menor conhecimento sobre dermatologia. Infelizmente, eu sou uma grande preguiçosa e escolhi trilhar o caminho mais difícil. Quando me arrependi dessa decisão, já tinha desperdiçado muito dinheiro e a pandemia já estava acontecendo, de forma que corrigir o erro ficou menos viável do que permanecer nele. Porém, o tempo em casa e a falta de contato com o sol me permitiram testar todos os produtos que estavam encalhados aqui e eu finalmente consegui montar uma rotina básica de skincare que (aparentemente) funciona para o meu tipo de pele. De uns tempos para cá, consegui manter minha acne em um nível aceitável e diminuir consideravelmente a oleosidade da minha pele (principalmente graças ao Sérum Antiacne da Sallve). 

sobre o meu carrinho velho

Talvez soe muito babaca, mas eu tenho uma conexão muito especial com o meu carro. Já perdi as contas de quantas vezes me refugiei nele para chorar ou ficar em silêncio, de quantas vezes já nos divertimos fechando homis folgados no trânsito e de quantas vezes eu me senti bem por poder pensar em nada além de uma série de alavancas que preciso controlar na hora certa. E mesmo que eu tenha usado ele bem menos esse ano, meu carrinho velho poderia ter sido facilmente o objeto mais importante de 2020. Não sei como estão as coisas na cidade onde você mora, mas por aqui o transporte público continua lotado e mesmo que o uso de máscara seja obrigatório, nada impede as pessoas de colocarem a máscara no queixo para espirrar (???) ou para falar bem perto da cara de outro cidadão (???). Sinto um milhão de sintomas de ansiedade só de pensar em ter que pegar o ônibus para ir até o supermercado ou acompanhar minha mãe no médico. Sendo assim, fica aqui meus infinitos e cheios de carinho agradecimentos ao meu carrinho velho pelos serviços prestados em 2020.

sobre eletrodomésticos úteis demais

O ser humano é um ser nojento. Você pode constatar isso apenas pela capacidade que temos de sujar um ambiente sem fazer nada além de existir. Não adianta fazer a faxina mais meticulosa do ano: assim que a tarefa terminar você vai sentir dor de barriga ou fome, o que implica diretamente em sujar tudo o que você acabou de limpar. Para a vida ficar mais fácil, comprei dois eletrodomésticos que salvaram o meu isolamento: um aspirador de pó vertical e uma air fryer. Nunca mais usei uma vassoura para varrer a casa (minhas alergias agradecem) e estou me alimentando apenas com nuggets e batata congelada (meu corpo não agradece tanto assim, mas a fatura do meu cartão não está mais lotada de ifood, então tudo bem).

sobre estratégias de organização

Já dei um spoiler sobre esse tópico no post com indicação de planners feitos por mulheres, onde disse que me organizar foi um passo muito importante para manter a sanidade mental durante o isolamento social. Porém, além disso, também aproveitei o tempo para organizar a minha organização (será que isso faz sentido?). Consegui testar vários métodos e escolher os que funcionavam mais para mim. Fica aqui uma dica: por mais que existam vários conteúdos sobre rotinas e métodos de organização, é muito difícil encontrar uma receita pronta que funcione perfeitamente para você. Se você quer se organizar, se inspire nesses conteúdos, mas não copie. É muito doloroso perder tempo tentando seguir um método que não funciona para você só porque pessoa x ou y disse que é "a melhor forma de se organizar". A melhor forma é a que funciona para você! 

sobre ler para escapar da realidade (e se sentir menos inútil) 

Passei boa parte de 2019 olhando para os meus livros encalhados na estante como quem está morrendo de sede e fita um copo de água geladinha. Por isso, uma das minhas metas de 2020 era ler: independente do tempo, das minhas tarefas e do quanto as coisas estivessem atrasadas (coisas = mestrado). Minha meta era ler dois livros por mês. As leituras fluíram bem em janeiro, mas começaram a encalhar de fevereiro em diante. Por isso, tomei a saída dos covardes e comecei a ler graphic novels porque 1) eu queria e 2) isso fazia com que eu conseguisse ler mais livros em menos tempo. Sei que muitas pessoas consideram que isso é uma "trapaça", mas graças a esse truque consegui me manter motivada e efetivamente ler os 24 livros excluindo as graphic novels da conta. Tenho certeza de que, sem elas, eu teria desistido de cumprir a meta antes da metade do ano. Deixo aqui, então, meus agradecimentos às graphic novels e à Julia Quinn, que me fez ler toda a saga dos Bridgertons em menos de um mês.

E essas foram as 5 coisas mais interessantes que aconteceram por aqui em 2020. Considerando tudo de ruim que aconteceu durante esse ano, acho que o saldo foi relativamente positivo. Sei que estou bem atrasada para fazer posts com essa vibe adeus ano velho, feliz ano novo, mas acabei demorando (exatos 16 dias!) para concluir esse post em função daqueles mesmos problemas de sempre. Espero que as minhas reflexões e mudanças de hábito possam ter entretido vocês durante alguns minutinhos e que já tenhamos os cartões de vacinação carimbados na próxima virada de ano #BoraVirarJacaré.

Esse post foi inspirado pelo Year in review: 5 coisas aleatórias que aconteceram por aqui em 2020, postado pela Karine no blog Kaffeina. Recomendo demais o blog e os perfis de fotografia da K: o @karinebrittofoto e o @karinebrtt.co.

planners feitos por mulheres (2021)

07 dezembro 2020

Você pretende comprar um planner para se organizar em 2021?

No Twitter, vi muitas pessoas reclamando por terem "desperdiçado" os planners de 2020 porque, enfim, "não aconteceu nada nesse ano" - além de uma pandemia, o que já é bastante coisa. Essa reclamação não fez muito sentido para mim porque ficar trancada em casa aumentou minha necessidade de controle, registro e planejamento. No meu trabalho presencial, tínhamos um quadro onde anotávamos as datas importantes e nos lembrávamos constantemente das reuniões e eventos agendados para a equipe. Na falta desses artifícios, tentei lembrar de tudo "de cabeça", mas acabei me perdendo nas datas e, de brinde, ganhei um episódio de dissociação.

imagem por @bajkorenata
Por isso, comecei a anotar todas as reuniões, prazos e, por orientação da minha psicóloga, também anotei coisas aleatórias do meu dia. Esse hábito melhorou muito a minha qualidade de vida durante o isolamento porque me tornei consciente das minhas obrigações, do tempo que precisava para completar cada tarefa e da passagem dos dias (afinal, quando todo dia é uma quinta-feira é bem difícil notar que o tempo está passando...). Por fim, meu planner de 2020 foi o objeto mais útil da quarentena e eu não pretendo abandonar esse hábito em 2021 - independente da pandemia e do isolamento social.

Sendo a louca da papelaria, comecei a procurar um planner que me atendesse - tanto com relação ao layout quanto em relação à estética. Assim como no ano passado - em que fiz essa thread no Twitter - tentei dar preferência para marcas idealizadas e produzidas por mulheres e, para facilitar a pesquisa de vocês, vou compartilhar as lojas e planners mais legais que encontrei por aí. 
Mas antes, um aviso: nesse post, procurei citar as marcas cujos planners eu mais gostei e que considerei comprar, tanto na pesquisa que fiz esse ano quanto na do ano passado. Por isso, para "representar" a marca, escolhi o planner com o modelo e a capa que eu mais gostei (geralmente prefiro planners menores e com layout semanal horizontal). A maioria das marcas citadas possui mais de um modelo, então recomendo fortemente que vocês consultem os sites e conheçam os outros produtos.

COMEÇANDO PELO MEU TOP 3...



Marca: Flor de Mim
Preço: R$ 169,10
Instagram: @flordemim

Sou apaixonada pela estética da Flor de Mim: tons terrosos nas capas e miolos minimalistas. O planner do ano é bem completo e conta com alguns elementos que não costumamos encontrar em outros modelos, como a roda da vida e as mandalas mensais. A marca também tem planners não datados (R$ 98,00) e "miolos" (R$ 30,50), que são caderninhos menores voltados para o planejamento de uma área específica: finanças, projetos, dentre outros. 


Marca: Papel à Mão 
Preço: R$ 78,00
Instagram: @papel.a.mao

Quando descobri a Papel à Mão no Instagram eu surtei! Todos os produtos são artesanais e feitos à mão pela Malu (dona da loja) e dá pra ver o carinho e cuidado que ela tem em cada etapa do processo. A marca ainda não tem um site próprio, mas você pode ver e encomendar essa beleza de planner pelo Instagram. Ah, um detalhe: o planner é semestral, mas você pode comprar o combo mensal por R$ 152,00.


Marca: Mbô Papelaria Criativa
Preço: R$ 79,90
Instagram: @cadernosmbo

Como sou uma pessoa chata, passei muito tempo procurando ~o planner ideal~ e já estava quase desistindo da busca quando a K. me recomendou o planner da Mbô e eu fiquei apaixonada. O layout é exatamente do jeito que eu queria, amei as capas e as duas fitas marcadoras de página me conquistaram instantaneamente. Não vou mentir... fiquei um pouco na dúvida. Mas acabei comprando esse modelo e a Mylena (dona da loja) foi tão carinhosa e cuidadosa nos e-mails (durante e depois da venda) que eu virei fã da marca. O modelo que eu escolhi foi o Planner Caderninho (porque eu não queria uma encadernação wire-o), mas eles também tem o Planner Grande por R$ 99,90. 

OUTRAS MARCAS E PLANNERS INCRÍVEIS ♥


1. Planner Padrão 2021 - Acraft | Preço: 170,90 (sem capa)
Os planners da Acraft seguem o estilo traveler's notebook: você compra uma capa e vai adicionando os caderninhos da forma que preferir (como eles explicam nesse vídeo). Sim, o preço é bem salgadinho, mas você pode comprar apenas a capa e o bloco referente aos primeiros três meses do ano e ir comprando o restante aos poucos. Outra vantagem é que, ao invés de carregar o planner completo, você pode montar da forma que preferir: com o planner do trimestre + caderno de anotações + planner financeiro + journal de lembranças, por exemplo. 

Amo borboletas desde a infância, então foi impossível não me apaixonar pelo planner 2021 da Amanda Mol. O design interno dele tem um estilo bem artesanal, além de contar com um espaço para "anotar suas descobertas, vivências e sentimentos" ao final de cada semana. Esse formato é ideal para quem quer se organizar e registrar lembranças no mesmo espaço - principalmente para quem não consegue tirar um tempo todos os dias para fazer esses registros, deixando essa tarefa para o final da semana.

Esse planner da Donna Dolce é para aquela pessoa que gosta de planejar e registrar todos os detalhes da vida. Ele é super completo: tem visão mensal e semanal, controle de hábitos, de finanças, dicas de organização, planejador de metas, rotina, wishlist do mês, controle menstrual, espaços para registrar séries, filmes, livros... ufa! Além disso, você pode adicionar alguns conteúdos extras, como a roda da vida, registro de viagens, listas e páginas para anotações gerais. Você consegue registrar todos os aspectos da sua vida em um só lugar e ainda tem o bônus das capas maravilhosas (a que eu escolhi para colocar na imagem é a sassy cat preta).


Apesar de não ter tantas páginas e recursos quanto o planner da Donna Dolce, o planner da Gravitando é bem completo. Ao meu ver, ele tem todas as ferramentas básicas (como visão mensal e semanal) e os adendos mais interessantes (como mood e habit tracker e a lista de filmes/livros/séries). Porém, a grande vantagem desse modelo é que ele não é datado: você pode começar no momento em que quiser e no ano que quiser. Esse tipo de planner é ideal para quem não faz questão de começar a preencher tudo logo no início do ano ou quem costuma "desanimar" e abandonar o planner durante alguns meses. Dessa forma, você não desperdiça as folhas e fica mais livre para se planejar quando e como quiser.

Eu amei a estética das capas dos planners da Entrelaço para esse ano - tanto que foi difícil escolher uma só para representar a marca. Sinto que o modelo deles é um pouco mais voltado para o autocuidado, com espaços para monitorar consultas médicas, peso, suas prioridades do mês, lista de gratidão, coisas que você quer melhorar e espaços para você refletir a respeito de como está se sentindo naquele momento. Além de ser um instrumento de planejamento, também pode te "forçar" a tirar um tempinho para refletir sobre si mesma. 

O layout interno dos planners da Datail Papelaria me lembra muito os modelos da Cícero: básicos, minimalistas, com linhas finas e cores mais neutras. São ideais para uma pessoa mais prática, que quer usar o planner efetivamente como uma ferramenta de organização e que não faz questão de muitas firulas. O destaque fica com as capas que, contrastando com o miolo, tem muitas cores e esbanjam personalidade. A marca também conta com planners em brochura (por R$ 82,00) para pessoas que, assim como eu, tem um pouco de birra da encadernação wire-o. 


Além de uma ferramenta de organização, o planner da Insecta Shoes também é uma ferramenta de estudo. Além da visão mensal, semanal e do planejamento financeiro, o planner também conta com vários conteúdos "sobre as lutas das mulheres e dos negros no Brasil". Todos os textos e ilustrações foram feitos por mulheres e ele também conta com exercícios de reflexão e dicas de livros e séries sobre o tema. Ao meu ver, um planner extremamente caprichado, com um conteúdo rico e estética perfeitos - além do preço super camarada.

8. Mandala Lunar 2021 | R$ 80,00
Mais do que um planner, a Mandala Lunar é um projeto de autoconhecimento. Com vários textos explicativos e instrutivos, ela te guia em uma jornada que visa aumentar sua percepção sobre si mesma, fazendo com que você reflita sobre seus sentimentos diariamente. A Mandala Lunar tem um acabamento impecável e páginas lindíssimas (você pode conferir ela por dentro nesse vídeo), além da capa simplesmente perfeita. Tenho muita vontade de tirar um ano para me dedicar a preencher uma Mandala Lunar (mais como uma ferramenta de autoconhecimento do que como um planner em si), mas ainda não consegui me organizar para isso :( 

A Meg&Meg é a marca de planners mais famosa na minha bolha na internet: é impossível encontrar alguma discussão sobre planners na minha timeline que não tenha alguém recomendando a marca. A grande novidade deles para esse ano são os mini planners. Eles possuem quase os mesmos mecanismos do planner tamanho padrão da marca, com a vantagem de serem menores e mais compactos. Ideal para quem não gosta de carregar cadernos gigantes por aí e prefere anotar apenas o essencial.


10. Planner 2021 - MuiMui | R$ 135,90
Os planners da Muimui são perfeitos para quem quer um layout mais básico, mas não completamente "preto no branco", sem nenhum detalhe diferente, sabe? Ele é feito artesanalmente e conta com páginas livres, onde você pode fazer anotações da forma que preferir. Além disso, ele não é datado, tendo os mesmos benefícios que eu citei sobre o planner da Gravitando: você pode começar, abandonar e voltar quando quiser, sem medo de desperdiçar as páginas. Além disso, por ser costurado, ele foge um pouco do padrão de encadernação wire-o que domina o mercado dos planners artesanais. As cantoneiras douradas dão um charme a mais no modelo.

Esse foi o planner que eu usei em 2019, um dos anos em que eu mais me organizei. O Smart Planner da Peperview tem um tamanho excelente para carregar na bolsa, visão mensal e semanal perfeitas para as anotações do dia-a-dia e páginas para anotações livres no final. É um planner muito bonito, delicado e objetivo. Supriu todas as minhas necessidades no ano em que usei e, por causa dele, me senti bem mais responsável e produtiva durante o ano. Recomendo demais! 

Além das capas maravilhosas, os planners da Planos Pontilhados tem um acabamento super caprichado: as divisórias contam com abas revestidas (mais durinhas), o wire-o na cor bronze (ao contrário da maioria dos modelos que vem com o wire-o preto) e as páginas do miolo tem detalhes coloridos, que podem muito bem ser complementadas com decorações super elaboradas ou simplesmente preenchidas de um jeito mais básico. São detalhes simples, mas que fazem uma diferença estética gigante! Além disso, o planner conta com vários recursos extras (como as famosas listas de livros/séries/filmes e páginas para anotações), tendo um preço bem camarada com relação aos demais planners do mercado que possuem todos esses artifícios.

Enfim, essas foram as marcas e planners que mais me chamaram a atenção. Como eu disse lá em cima, a maioria das marcas tem várias opções de capa e outros modelos de planner, então recomendo que visitem os sites e procurem os que atendem melhor as necessidades de vocês. E caso você conheça alguma marca que não esteja citada aqui - eu sei que existem várias - deixa aí nos comentários para todo mundo possa conhecer também! 

E vamos torcer para que 2021 seja um ano mais tranquilo!

resenha: maus

05 outubro 2020

Chegamos aqui no campo de concentração Auschwitz. E nós sabia que daqui nós sai nunca mais... Nós conhece as histórias. Vão dar gás e jogar nós nas fornos. Isso era 1944... Nós sabe tudo. E nós estar lá.

A Segunda Guerra Mundial sempre foi um tema popular entre os meus colegas de escola. No ensino fundamental e médio, esperávamos ansiosos por aquele momento em que os professores deixariam de lado o jocoso governo Jânio Quadros para estudarmos a ascensão de Hitler na Alemanha economicamente destruída*. Já era de se esperar que nós não nos interessaríamos por um governo brasileiro que ficou popularmente conhecido por uma frase não dita (as tal "forças ocultas" que figuram nos livros de história, mas que nunca foram escritas na carta de renuncia de Jango), mas o interesse pela Segunda Guerra ia muito além de uma preferência narrativa. Esses eventos históricos nos prendiam mais do que qualquer outro. Para além dos símbolos, das cores, dos uniformes, dos campos de concentração posteriormente transformados em museus e das câmaras de gás, tínhamos milhares de perguntas: como era possível que ideias tão radicais e cruéis tenham sido colocadas em prática apenas com o estímulo dos discursos inflamados de um homenzinho esquisito? Mas a Europa não é um continente desenvolvido, com países de primeiro mundo? As pessoas de lá não são mais inteligentes do que nós? Como ninguém fez nada para impedir? Existia mesmo uma linha de produção para otimizar o extermínio dos judeus?

imagem por @jeancarloemer

Aparentemente, nosso interesse não era - nem é - exclusivo. Prova disso é a abundância de filmes, livros e demais produtos da cultura popular que abordam esse período histórico. Dos que já consumi, cito os livros A menina que roubava livros (um dos meus livros preferidos e que eu li até a exaustão - minha e do exemplar surrado que tenho guardado na estante), O menino do pijama listrado e O diário de Anne Frank; os filmes Olga: muitas paixões numa só vida, Até o último homem, O grande ditador e Bastardos Inglórios (dentre os citados, o menos fiel); e o podcast As filhas da guerra, a excelente primeira temporada do Projeto Humanos. Esses são apenas alguns exemplos, certamente existem muitos mais. E, no meio desse mar de histórias contadas e recontadas à exaustão, o que uma graphic novel pode acrescentar? Seria Maus apenas mais uma produção do entretenimento que se aproveitou do interesse do público para vender um produto novo? 


Livro: Maus: a história de um sobrevivente
Escritor: Art Spiegelman
Publicação: Esse livro foi publicado pelo Grupo Companhia das Letras, no selo Quadrinhos na Cia.

Sinopse: Maus ("rato", em alemão) é a história de Vladek Spiegelman, judeu polonês que sobreviveu ao campo de concentração de Auschwitz, narrada por ele próprio ao filho Art. Nas tiras, os judeus são desenhados como ratos e os nazistas ganham feições de gatos; poloneses não-judeus são porcos e americanos, cachorros. Esse recurso, aliado à ausência de cor dos quadrinhos, reflete o espírito do livro: trata-se de um relato incisivo e perturbador, que evidencia a brutalidade da catástrofe do Holocausto.

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Maus é absolutamente diferente de tudo o que eu já tinha lido sobre a Segunda Guerra e o Holocausto. Com uma narrativa crua, Art nos apresenta seu pai, Vladek: um polonês sistemático e extremamente sovina. Aos poucos, ele conta ao filho grande parte de sua história de vida - desde sua juventude, seu primeiro emprego e seus galanteios, até a época em que foi libertado de Auschwitz. Vladek é, acima de tudo, um personagem real - não apenas no sentido de que ele realmente viveu tudo o que foi narrado, mas pelo fato de ser apresentado de uma forma complexa e multifacetada, assim como são todos os seres humanos fora das páginas dos livros e dos telões do cinema. É impossível não odiá-lo e, dois segundos depois, compreendê-lo (apenas para voltar a odiá-lo antes de virar a página).

Através da narrativa de Vladek, conhecemos diversos aspectos do cotidiano dos judeus naquela época que costumam ser ocultados das narrativas populares. Fica evidente, em diversos momentos, que a sobrevivência era uma questão de sorte. Não interessa quanto dinheiro um judeu tinha antes daquela época, onde ele vivia, quais habilidades possuía, mas sim como ele ia utilizar de tudo isso quando fosse pertinente. Mas como saber qual o momento pertinente? Em uma manhã qualquer, todos os judeus eram convocados a comparecer em uma praça. O que eles deviam fazer? Tentar fugir? Encontrar um esconderijo? Ir até a praça? E, se decidissem ir, seria melhor ser selecionado para a fila que estava à direita ou à esquerda? Nas filas, eles deveriam ser os primeiros ou os últimos? Mentir ou falar a verdade? Tentar usar suas últimas posses para subornar um soldado ou escondê-las em algum lugar? Ninguém sabia. Era como jogar roleta russa a todo instante.

A obra também abarca diversos aspectos do estado psicológico dos judeus, mas faz isso nas entrelinhas. Assuntos como o suicídio, o medo e a violência - até mesmo depois que os campos são esvaziados - aparecem sutilmente, mas de uma maneira forte. Dois ou três quadrinhos bastam para que o leitor se sinta impactado pela força dos ânimos das pessoas e das situações retratadas. Talvez eu estivesse sensível no momento da leitura, mas nunca uma obra me impactou tanto com tão pouco. Por diversas vezes, precisei parar para respirar fundo, refletir sobre o que tinha acabado de ler e até me distrair com outra coisa.

Outro aspecto que acrescenta à obra são os relatos de Art sobre a coleta da narrativa. A história descrita por Vladek é intercalada com cenas dos momentos em que ele a conta para o filho. Nesses momentos, podemos ver mais sobre sua personalidade difícil e a forma com que Art lida com as circunstâncias, além de todos os dilemas que o autor enfrentou enquanto colhia os relatos. Fica claro que todas essas situações - voltar a conviver com o pai, presenciar o relacionamento difícil que ele tinha com sua madrasta, relembrar histórias tão tristes e trágicas de seu povo, ser confrontado com a figura de um irmão que morreu ainda criança, a pressão que ele mesmo se impunha acerca do trabalho que estava elaborando, relembrar o suicídio de sua mãe, e tantas outras mais - eram muito para ele.


O trecho que abre o post foi retirado dessa página do livro. Achei interessante tirar uma foto para vocês verem o estilo das ilustrações.

Maus foi uma obra que me surpreendeu e me sensibilizou de tal forma que esse post demorou mais de um mês para ser escrito. Durante esse tempo, eu revisitei as anotações que fiz durante a leitura e folheei o livro diversas vezes, tentando agilizar a produção do texto. Não funcionou. A cada paragrafo escrito eu precisava parar para me recuperar e refletir sobre os relatos. O que eu recebi como apenas mais um produto de entretenimento sobre a Segunda Guerra mundial acabou me acertando como um soco. Mas um soco bom (será que isso existe?). É impressionante o fato de que, mesmo se tratando de um assunto que já foi explorado à exaustão, o relato dos que viveram aquilo ainda são capazes de trazer luz a aspectos novos - aspectos que facilmente passam despercebidos por nós, pessoas que apenas podem imaginar tudo o que foi a perseguição e a violência infringida aos judeus naquela época

AVISOS


Há pouco tempo, fiz minha inscrição no programa de afiliados da Amazon. Todos os links de produtos da Amazon que estão nesse post são comissionados, ou seja, eu ganho uma comissão se alguma compra for realizada a partir deles. 

* O governo de Jânio Quadros (1961) ocorreu anos depois do final da Segunda Guerra Mundial (1939 - 1945). Esse apontamento que eu fiz aqui diz mais respeito à minha memória afetiva com as aulas de história que, por algum motivo que desconheço, nunca seguiam uma sequência cronológica. De fato, aprendi sobre a Segunda Guerra Mundial e sobre o breve governo de Jânio Quadros mais ou menos na mesma época - esquisito, eu sei, mas foi assim.

playlist: minhas preferidas do Green Day

15 agosto 2020

Green Day é a minha banda do coração desde que eu tinha uns doze anos de idade. Mesmo que meu gosto musical tenha mudado muito ao longo do tempo e que eu tenha dedicado muita atenção e amor a outras bandas nesse período, Green Day sempre está ali no background. Esse ano tem CD novo do Green Day? Billie quebrou uma guitarra no palco e depois foi pra rehab?Novo projeto paralelo (mais um)? Não importa o que eles façam, eu estou sempre de olho (aproveito o momento para agradecer a todos os perfis de fan clube e grupos do reddit que acompanham a banda de perto e me atualizam com as notícias - em especial ao GDEspionage que diariamente me alimenta com informações e memes).

Há alguns dias, ficou muito popular na minha bolha no instagram um modelo de storie onde você fazia uma batalha entre músicas de uma determinada banda até chegar na sua música preferida. Fiz e compartilhei a do Green Day e apesar de ter sido muito legal, fiquei coçando para falar sobre músicas que não entraram na batalha de músicas. Poxa, a banda tá na ativa desde 1986! Muitas músicas excelentes ficaram de fora. Até considerei fazer alguns stories com a minha música preferida de cada álbum, mas descobri que não consigo escolher uma só. 

Foto é de um ensaio fotográfico que a banda fez por volta de 1994/1995

Primeiro, pensei em fazer esse post falando de cada um dos CDs, dos contextos em que foram lançados, das minhas opiniões sobre cada música, etc. No meio do processo, o post já estava gigantesco e eu pensei "poxa, acho que ninguém vai querer passar três horas lendo isso", então resolvi reduzir o post a uma playlist (maravilhosa) no Spotify com as minhas músicas preferidas de cada álbum de estúdio. 

Aviso aos navegantes: essa playlist não contempla os álbuns ao vivo (são muitos), nem os projetos paralelos (que também são muitos) e as coletâneas, com exceção do disco 1,039/Smoothed Out Slappy Hours que tomou o lugar do 39/Smooth na discografia do Spotify - para quem ficou perdido no aviso, o CD 1,039/Smoothed Out Slappy Hours é uma coletânea lançada em 1991 que contempla o CD 39/Smooth e os EPs 1,000 Hours e Slappy.

 


É muito legal poder revisitar todos os álbuns e músicas lançadas por uma das minhas bandas preferidas. Posso dizer que o Green Day fez parte da formação do meu caráter, acompanhou meu crescimento e me fez pensar muito sobre os meus posicionamentos políticos através de suas letras (vide o discurso que o Billie Joe faz no meio da música Minority, no DVD Bullet in a Bible e a apresentação deles no VMA de 2016). É muito satisfatório ver que uma banda, um grupo de artistas que eu admirava há mais de dez anos atrás continua sendo admirável - principalmente no contexto caótico em que estamos vivendo.

Espero que vocês tenham gostado da playlist e do post. Deixa aí nos comentários alguma banda que te acompanha desde a adolescência e qual a sua música preferida deles (e tudo bem se você também for uma pessoa indecisa e quiser citar mais de uma, ou até me mandar uma playlist).

Você também pode conversar comigo sobre bandinhas lá no twitter.
olive trees, garnets and trains